Clark, (1980, p.27) refere neste aspecto que “os familiares até acreditavam que ele poderia ter algum tipo de dislexia”. No entanto, Pais (1995, p.45) refere que “O menino inicialmente lento tornou-se o melhor aluno na escola (a crença generalizada de que era um aluno fraco é infundada) (…)”. A prova que a educação formal de Albert correu bem desde cedo é patente na carta escrita por Pauline Einstein a 1 de Agosto de 1886 à mãe (Jette Koch) em que dizia: “Ontem Albert recebeu as notas; foi novamente o melhor, o boletim é brilhante” (Pais, 1995, p.43). Se para a Matemática e para as ciências naturais ele era mais do que bem dotado, possuidor de grande intuição e habilidade lógica, para as disciplinas que exigiam capacidade de memória as suas aptidões escolares não eram tão grandes. Geografia, História e Francês constituíam obstáculos quase intransponíveis. As áreas que tinham um carácter mais físico como a ginástica e o desporto eram-lhe naturalmente antipáticas. |
"Sim, é verdade. Mas sentas-te na última fila e sorris, o que contraria o sentimento de respeito que um professor deve incutir nas suas aulas” De acordo com Fölsing (1997, p. 28) a sua atitude na vida ter-lhe-á provocado problemas precisamente com o director da escola, que o terá convocado para uma reunião e terá declarado, entre outras coisas, que o seu desinteresse pela sua disciplina e a sua forma de estar na aula era uma falta de respeito pelo professor da disciplina, e que a sua presença era um péssimo exemplo para os outros alunos. Encerrando a reunião, o professor disse que a Albert que nunca chegaria a servir para o que quer que fosse. Independentemente do sucesso ou insucesso escolar que tenha tido uma questão é certa: Albert não gostou da escola. Sobre esses tempos costumava dizer que (Frank, 1953, p.11): "Os professores da escola primária pareciam sargentos, e os do Gymnasium pareciam tenentes". Aos quinze anos Einstein abandona o Gymnasium e parte para Milão, onde os pais se encontram agora a viver. Um ano depois o pai comunica-lhe que não lhe pode dar mais dinheiro, pois a fábrica que agora possuía estava, mais uma vez, à beira da falência. O pai ter-lhe-á dito: "É preciso que escolhas uma profissão qualquer, o mais rápido possível" (Levy, 1980, p.24) Foi então que Albert decidiu ser físico, mas não tendo o diploma do Gymnasium completo, não podia entrar na universidade. Podia, no entanto, frequentar um instituto técnico e Einstein escolheu o de maior renome da Europa Central, a Escola Politécnica Federal (Eidgenössische Technische Hochschule) , a ainda hoje famosa ETH, em Zurique (Suiça). |
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Apesar de estar dois anos adiantado em relação à idade regulamentar e não tendo concluído o secundário teve que pedir uma admissão à instituição para a qual foi apadrinhado por Gustav Mayer, um amigo da família Einstein. A 25 de Setembro, Mayer recebeu uma resposta de Albin Herzog que dizia o seguinte (Carvalho, 2002, p.31): “Em resposta ao seu requerimento do dia 24 do presente mês, desejo informá-lo de que: de acordo com a minha experiência, não é recomendável retirar um estudante da instituição onde ele iniciou os seus estudos, mesmo que seja aquilo vulgarmente se designa como uma “criança prodígio”. Neste caso particular, o meu conselho é que persuada a pessoa em questão a completar o curso de estudos na sua instituição actual e a realizar os exames de matura. Se o senhor, ou os familiares do jovem em causa, não partilharem da minha opinião, eu permito – sob dispensa excepcional da idade estipulada – que realize o exame de admissão à nossa instituição (…)” Nessa primeira tentativa de admissão (Stachel, 1987, p.10-11) reprovou na componente de conhecimento geral (provas orais de História Política, História da Literatura, Ciências Naturais e Alemão). Conseguiu no entanto impressionar o júri da componente de conhecimento específico (provas orais de Aritmética, Álgebra, Geometria, Geometria Descritiva, Física, Química e Desenho Técnico) em particular pelo seu desempenho a Física. Relativamente à sua reprovação Einstein diria mais tarde (Carvalho, 2002, p.31): “ (…) Este exame deu-me a prova dolorosa do carácter lacunar da minha formação anterior, apesar de o júri se ter mostrado benevolente e paciente.” Não deixa de ser impressionante que o jovem admitido a exame como “criança prodígio” em função das prestações ao longo do percurso escolar (Carvalho, 2002, p.31) tenha impressionado Heinrich Friedrich Weber de tal modo que este o tenha convidado a assistir às suas aulas de Física independentemente da sua admissão, o que era algo interdito à data (Stachel, 1987, p.11). Einstein, no entanto, não o viria a fazer a não ser quando já era aluno do ETH. O director da ETH aconselhou Albert a frequentar uma escola cantonal em Aarau, próxima a Zurique, para concluir o ensino secundário, o que lhe daria o direito de frequentar a ETH, ou a universidade. Em 1895, tendo ido para Aarau estudar, um Einstein de dezasseis anos encontrou a felicidade no ambiente livre e motivador da escola cantonal. Pela primeira vez surgiu-lhe uma questão recorrente para a qual nem ele, nem o professor de Física tinham resposta: queria saber o aspecto que teria uma onda luminosa para alguém que a observasse viajando com a mesma velocidade! Este problema voltaria à baila quando Einstein formulou a teoria da relatividade.
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No ano seguinte Einstein faria exames finais do secundário As classificações obtidas por Albert foram, para um máximo de 6: